5 sinais de que a água do poço precisa de análise laboratorial
Quem tem poço em Bragança Paulista, Piracaia, Joanópolis ou em qualquer cidade da região aprende a conviver com a água "do jeito que ela vem". O problema é que alguns dos contaminantes mais relevantes para a saúde não têm cor, cheiro nem gosto, e outros que incomodam bastante são, na verdade, inofensivos. Listamos abaixo cinco sinais que aparecem com frequência nas visitas da GT Saneamento, o que cada um costuma indicar e o que pedir ao laboratório. E, no fim, o sexto sinal, que é a ausência de qualquer sinal.
1. Mancha alaranjada em louça, roupa e azulejo
É o sintoma mais comum em poços profundos da região, cuja água atravessa rochas ricas em ferro. O ferro dissolvido é incolor, mas oxida em contato com o ar e vira o óxido alaranjado que se deposita na caixa d'água, no vaso sanitário e na roupa branca. Manganês faz efeito parecido, com manchas mais escuras, quase pretas. Nenhum dos dois é um risco sanitário nas concentrações usuais, mas ambos passam do limite de aceitação da norma de potabilidade por incômodo e sabor, e o tratamento (oxidação seguida de filtro específico) precisa ser dimensionado pelo teor medido. Pedir: ferro total, manganês, cor aparente e pH.
2. Gosto ou cheiro que muda depois da chuva
Poço raso, cacimba ou mina cuja água fica turva, com cheiro de terra ou gosto diferente nos dias seguintes a uma chuva forte está recebendo água de superfície que não passou pelo solo tempo suficiente. Isso significa que tudo o que está no terreno em volta (fossa, curral, adubo, estrada) pode estar chegando à captação. É o sinal que mais preocupa a equipe, porque quase sempre vem acompanhado de coliformes. Pedir: coliformes totais, Escherichia coli, turbidez e nitrato, com coleta feita logo após uma chuva e outra em período seco.
3. Cheiro de ovo podre ao abrir a torneira
O cheiro de sulfeto de hidrogênio aparece em poços com matéria orgânica em decomposição ou em caixas d'água e aquecedores onde a água fica parada e bactérias redutoras de enxofre se instalam. Antes de culpar o poço, vale testar a água direto da bomba: se o cheiro só aparece na torneira quente ou depois de a água ficar parada, o problema é a instalação, não a fonte. Se aparece já na saída do poço, a análise ajuda a decidir entre aeração, cloração ou filtro de carvão. Pedir: sulfetos, pH, ferro e microbiologia.
4. Sabor salgado, amargo ou "pesado"
Água dura, com muito cálcio e magnésio, deixa gosto característico, faz o sabão render pouco e forma crosta branca em chuveiro e chaleira. Água com cloretos altos fica salobra. Nas duas situações a saúde não está em risco imediato, mas equipamentos sofrem e o conforto cai. Em poços muito profundos da região o teor de fluoreto também pode ficar acima do recomendado, e esse sim tem limite sanitário. Pedir: dureza total, cloretos, sólidos totais dissolvidos, condutividade e fluoreto.
5. Casos de diarreia recorrente na casa
Quando duas ou três pessoas da mesma casa apresentam desconforto intestinal sem causa clara, e a água vem de poço, a hipótese de contaminação microbiológica precisa ser descartada com análise, não com suposição. Coliformes e E. coli indicam presença de esgoto ou fezes de animais na água. Nitrato, que também vem de esgoto e adubo, é incolor e inodoro e tem limite sanitário rigoroso, especialmente para bebês. Pedir: coliformes totais, E. coli, nitrato e nitrito, com prioridade máxima. Enquanto o resultado não sai, ferver a água de beber ou usar água mineral.
O sexto sinal: nenhum sinal
A água cristalina, sem gosto e sem cheiro, é o caso em que mais gente deixa de analisar, e justamente o caso em que coliformes e nitrato podem estar presentes sem aviso. A recomendação da GT Saneamento para poços em uso doméstico é análise microbiológica a cada seis meses e físico-química completa uma vez por ano, além de uma análise sempre que houver obra nas proximidades, chuva excepcional ou mudança perceptível na água.
Como coletar para não invalidar o resultado
- Usar o frasco esterilizado fornecido pelo laboratório para microbiologia; frasco de casa não serve.
- Escolher uma torneira sem filtro, sem mangueira e sem arejador; limpar a boca com álcool ou flambar.
- Deixar a água correr de dois a três minutos antes de coletar, para eliminar a água parada na tubulação.
- Não encostar o dedo na boca do frasco nem na parte interna da tampa; não encher até a borda.
- Manter a amostra refrigerada e entregar ao laboratório no mesmo dia, de preferência em poucas horas.
- Anotar data, hora, ponto de coleta, clima dos últimos dias e qualquer obra ou evento incomum.
Um resultado é uma fotografia da água naquele momento e naquele ponto. Guardar os laudos ao longo dos anos permite enxergar a tendência, que costuma dizer mais sobre o poço do que qualquer análise isolada.
Equipe técnica GT Saneamento — engenheiros e técnicos da GT Saneamento Ltda., empresa de engenharia sediada em Bragança Paulista/SP, com atuação em projetos de água e esgoto para propriedades rurais, condomínios e pequenas empresas da região bragantina. Os textos são escritos a partir das visitas de campo e revisados pelos sócios.